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sexta-feira, 7 de agosto de 2026 · Edição digital

InovaçãoReportagem

Startup de Mato Grosso promete levar ciência de alto nível ao chão da academia

Nascida em Rondonópolis, a BioMS Pro traduz avaliações físicas em laudos interpretados por inteligência artificial — e desenvolve, com universidades, índices próprios de bioimpedância que já foram a congresso científico.

Por Clara Nogueira

3 min de leitura
Startup de Mato Grosso promete levar ciência de alto nível ao chão da academia

Crédito: Divulgação / BioMS Pro

Nunca se quis tanto medir o próprio corpo. Relógios contam passos e batimentos, aplicativos estimam sono e calorias, e a procura por avaliações de composição corporal cresce nas academias do interior. As pessoas querem dados — e, mais que isso, querem entender o que eles dizem.

O problema é que o melhor desse conhecimento mora longe do balcão da academia. A ciência já mostrou que força muscular e condicionamento físico estão entre os melhores previsores de longevidade e de autonomia na velhice. Mas esse saber costuma ficar preso em artigos e laboratórios, numa linguagem que raramente chega ao profissional que atende o aluno todos os dias.

É essa distância que uma startup de Rondonópolis se propôs a encurtar — por dois caminhos.

Primeiro: mudar a forma de avaliar e entregar resultados

A plataforma BioMS Pro pega avaliações que o profissional de educação física já faz na rotina — teste de Cooper, força, dobras cutâneas, autonomia funcional, flexibilidade — e as compara automaticamente com referências da literatura científica por sexo e idade. Uma inteligência artificial então interpreta esses números para o aluno, comentando-os à luz da literatura científica, e ajuda a manter o engajamento dele na rotina de treinos ao lado do profissional — em vez de deixar o resultado como uma tabela fria.

Hoje, qualquer profissional pode usar a plataforma por 30 dias gratuitamente, para aprender a ferramenta e ver o impacto real no atendimento. E esse impacto aparece nos dois lados: alunos se motivam ao ver a própria evolução traduzida em gráficos, e profissionais que já usam relatam mais engajamento e mais estabilidade na carteira de clientes.

Painel da plataforma BioMS Pro, com a lista de avaliações disponíveis Altamente intuitiva, a plataforma transforma uma avaliação em um relatório premium em, na média, cinco cliques.

Para Alexandre Arraes, embaixador da BioMS Pro, a aposta vai mexer com o setor. “Os alunos querem ciência de verdade no feedback, e a BioMS tem essa cientificidade no coração”, afirma, ao dizer que a solução deve revolucionar o mercado.

Procurado pela produção da reportagem, o diretor de inovação da BioMS Pro afirmou que a empresa deve iniciar em breve novas pesquisas e lançar novos sistemas dentro do software. A meta, segundo ele, é construir uma ferramenta que atraia o profissional pela exclusividade e pelo ganho de autoridade — levando ciência de alto nível para o atendimento do dia a dia.

Segundo: desenvolver ciência nova

Aqui a ambição é maior. Em parceria com pesquisadores universitários, a startup criou uma família de índices próprios de bioimpedância — a série BioMS — construídos com engenharia de atributos e aprendizado de máquina. O trabalho foi apresentado no VII Congresso Brasileiro de Saúde (CONBRASAU) 2026 e publicado na Revista Multidisciplinar em Saúde.

O estudo, exploratório e honesto sobre seus limites, testou os índices em três bases — praticantes de crossfit, atletas de atletismo e pacientes em hemodiálise. Entre os resultados mais promissores: o BioMS-5 foi o índice que melhor acompanhou o desempenho de atletas em saltos e sprint; o BioMS-1 correlacionou-se em torno de 0,80 com a massa muscular medida por DXA — um exame caro e de acesso restrito, para o qual os índices passam a oferecer um análogo mais acessível; e o BioMS-8 mostrou-se sensível para sinalizar diabetes. Os índices também lidaram melhor com uma dificuldade antiga da bioimpedância: a diferença de sinal entre homens e mulheres.

Os próprios autores evitam o exagero — falam em resultados promissores, não definitivos — e prometem abrir uma API gratuita para que outros pesquisadores testem os índices com seus próprios dados.

Os planos não param em Mato Grosso. Segundo o diretor de inovação, a meta é crescer no Brasil e, já no próximo trimestre, começar a atuar no mercado externo — a empresa avalia que a solução tem potencial global. A startup afirma ainda estar aberta a investidores interessados em apoiar o negócio nessa fase de expansão.

No fim, é isso que dá o tom da aposta: não apenas levar ciência de ponta ao chão da academia, mas produzi-la a partir do interior de Mato Grosso.

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Repórter de ciência, saúde, inovação e esporte da Rede Eixo. Cobre saúde coletiva, pesquisa e o interior que se moderniza — startups, novos negócios, avanços e conquistas que transformam a região.